sexta-feira, 25 de novembro de 2011

ULCERA DE CALCÂNEO DESBRIDAR OU NÃO DESBRIDAR?


Úlceras do calcâneo: desbridar ou não desbridar? Esta é uma questão que se coloca inúmeras vezes perante o profissional de saúde, principalmente no caso de pacientes diabéticos que muitas vezes também sofrem de doença vascular concomitante.
De facto, a abordagem deste tipo de ferida não está isento de alguma controvérsia. A avaliação do estado vascular é fundamental no sentido de se apurar a viabilidade cicatricial de uma dada úlcera. A opção de desbridar deve-se fundar na avaliação prévia da função vascular, que poderá indicar a necessidade de revascularização através de um by-pass.
Regra geral defende-se que num paciente com comprometimento da função arterial periférica, a atitude a encetar será protelar o desbridamento, a não ser que se constate osteomielite, sépsis ou sinais evidentes de infecção local como odor fétido, drenagem purulenta, tecidos periféricos edemaciados e inflamados, flutuação, etc.
O aspecto da escara é também importante. Escaras com necrose seca, sem sinais de infecção devem ser mantidas, dando-se a oportunidade desta se destacar do seu leito naturalmente. O desbridamento cirúrgico não deve ser levado a cabo. No caso de escaras parcialmente aderentes ao leito a melhor atitude será manter a vigilância e tentar secar a escara, que serve de escudo protector aos tecidos mais profundos. Medidas de controlo da infecção poderão ter que ser tomadas.
O uso da colagenase pode auxiliar no destacamento atraumático da escara. Alguns autores defendem o uso de mel (ver caso clínico)
Escaras húmidas e com sinais de infecção deverão ser prontamente desbridadas e deverá ser implementada antibioterapia sistémica. Por vezes podemos constatar flutuação da escara, o que denuncia um abcesso oculto pela mesma.
Desbridamentos agressivos em situações mal avaliadas darão origem a um aumento da dimensão da úlcera e exposição tendinosa ou óssea, com risco de perda da extremidade por infecção subsequente ou com aumento da taxa de calcaneotomias.

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